sábado, 6 de fevereiro de 2010

Horário de verão

É ou não é uma estupidez, manter esse tal horário de verão, nessa fornalha do inferno? Quanto mais tempo dura a permanência do sol, maior será o gasto de energia. Além da tortura diária. Nunca gastou-se tanta energia como nesse verão insuportável...

Educação de quarto mundo por Lya Luft

No meio da tragédia do Haiti, que comove até mesmo os calejados repórteres de guerra, levo um choque nacional. Não são os horrores de lá, mas não deixa de ser um drama moral. O relatório "Educação para todos", da Unesco, pôs o Brasil na 88ª posição no ranking de desenvolvimento educacional. Estamos atrás dos países mais pobres da América Latina, como o Paraguai, o Equador e a Bolívia. Parece que em alfabetizar somos até bons, mas depois a coisa degringola: a repetência média na América Latina e no Caribe é de pouco mais de 4%. No Brasil é de quase 19%.

No clima de ufanismo que anda reinando por aqui, talvez seja bom acalmar-se e parar para refletir. Pois, se nossa economia não ficou arruinada, a verdade é que nossas crianças brincam na lama do esgoto, nossas famílias são soterradas em casas cuja segurança ninguém controla, nossos jovens são assassinados nas esquinas, em favelas ou condomínios de luxo, somos reféns da bandidagem geral, e os velhos morrem no chão dos corredores dos hospitais públicos. Nossos políticos continuam numa queda de braço para ver quem é o mais impune dos corruptos, a linguagem e a postura das campanhas eleitorais se delineiam nada elegantes, e agora está provado o que a gente já imaginava: somos péssimos em educação. (...) - Lya Luft

Deve ser por tudo isso que quando me disponho a varrer não só a entrada da minha casa, como a do vizinho, ficam todos escondidos dentro de casa e quando saem, fingem que nada mudou. Uns e outros ainda ficam com raiva, porque entendem que eu quero "ocupar" a área. Ninguém oferece ajuda. A guerra silenciosa é tão atroz que nem o bom exemplo serve para mudar esse estado de coisas. Serão necessários séculos para que haja uma mudança no comportamento? Não consigo alimentar o veneno alheio: ninguém faz nada para não beneficiar o outro! São os horrores da indiferença entre preguiçosos, mal educados e egoístas. E uma prova de que a economia vai bem é que estão todos motorizados. No entanto, continuam jogando lixo por onde passam com suas crianças e ninguém toma uma providência quando há vazamento de esgoto. Seria tão simples se cada um fizesse a sua parte...

O que você não vai ser quando crescer? por Gilberto Dimenstein

(...) Os futuros professores são recrutados entre os alunos com as piores notas no ensino. Não consigo ver informação mais alarmante para uma nação do que o fato de que se recrutam entre os piores quem vai cuidar da cabeça das crianças e dos adolescentes. Entende-se por que muitos cursos de reciclagem não funcionam bem - ou por que os alunos saem da escola sem saber ler e escrever direito.
Também se entende por que, em muitos casos, exista pouca diferença entre escolas públicas ou privadas.
Como se não bastassem as deficiências de formação, eles vão trabalhar num ambiente hostil e violento, com salas lotadas e famílias omissas.
(...) O tamanho do problema vai exigir o melhor da inteligência da elite política - inteligência para, por exemplo, usar os recursos digitais, criar espaços educativos nas cidades, integrar os meios de comunicação ao aprendizado.
Daí que a principal questão social brasileira seja colocar a resposta "professor" quando alguém perguntar aos jovens coisas do tipo "o que-você-vai-ser-quando-crescer?" - Gilberto Dimenstein

Pra inglês ver...por Marcelo Freixo

Pronunciamento feito no dia 2 de fevereiro de 2010 por Marcelo Freixo, deputado estadual.

Sinceramente, eu me preocupo, às vezes, com o Governador do Estado do Rio de Janeiro. Não sei o que acontece. Primeiro, puxando pela memória, há pouco tempo, o governador do Rio de Janeiro fez anúncio de que contrataria o ex-Prefeito de Nova Iorque. Não sei se o governador está preocupado com o desemprego mundial e quer contratar uma série de ex-prefeitos, ex-primeiros-ministros. Eu não sei o que está havendo, não sei se é um gesto de solidariedade, coisa internacional, globalizada, mas o que acontece, é que o Governador do Estado do Rio de Janeiro primeiro anunciou que contrataria Rudolph Giuliani, ex-Prefeito de Nova Iorque, para resolver o problema da violência na cidade.

Fez um estardalhaço, como, aliás, lhe é peculiar, de grande mídia para isso. Ninguém fala mais no Giuliani no Rio de Janeiro, por uma razão: o governador Sérgio Cabral achou muito caro o que teria de pagar ao Giuliani para isso. Claro que, antes de uma responsável consulta, fez toda essa propaganda, como se no Rio de Janeiro, nas nossas academias, nas universidades, na nossa polícia, não houvesse profissionais qualificados para resolver os nossos problemas. É uma visão subdesenvolvida, enraizada, que acha que a solução está sempre no Primeiro Mundo. O governador deveria perceber o que está fazendo.
Não fala mais sobre o Rudolph Giuliani, mas, agora, o governador ressuscita Tony Blair. Aliás, o governador conseguiu levar Paulo Coelho para a esquerda; conseguiu botar o instrutor Paulo Coelho na esquerda da crítica do governo Cabral. Tem essa capacidade o governador Sérgio Cabral, é impressionante! Por que trazer o Tony Blair, o mesmo que foi responsável por fazer ingressar a Inglaterra naquela guerra insana do Iraque? Uma denúncia dava conta de que o Iraque teria armas de destruição em massa, versão que foi comprovadamente desmentida e desmascarada.

Tony Blair é um dos grandes responsáveis por uma das maiores atrocidades da história recente mundial e o governador Sérgio Cabral entende que a solução para o Rio de Janeiro está no Tony Blair. Ele diz: “Não se preocupem, porque não será o governo do estado, não será o governo federal. Temos como arrecadar dinheiro das empresas.” Ora, arrecada dinheiro das empresas, então, e paga melhor ao professor do Rio de Janeiro; arrecada dinheiro das empresas e paga melhor ao médico do Rio de Janeiro; arrecada dinheiro das empresas – a forma mágica que ele teria de conseguir dinheiro para pagar ao Tony Blair – e paga melhor aos policiais do Rio de Janeiro. O Governador precisa tomar vergonha na cara! É uma proposta indecente, aviltante, ter um funcionário público tão mal pago e ele dizer que contratará o Tony Blair para resolver os problemas do Rio de Janeiro. Isso é desrespeitoso!

O governador tem passado muito pouco tempo no Rio de Janeiro para oferecer tais propostas. Ele precisa ouvir mais a população, precisa saber mais sobre o que está acontecendo aqui. É lamentável: temos de debater a possibilidade de o Tony Blair ser contratado para o Rio de Janeiro.
As nossas saídas, as nossas soluções serão construídas aqui. O Rio de Janeiro tem saída, mas o governador precisa entender que ela não está no Galeão, lugar que ele mais frequenta do que outras áreas do Rio de Janeiro. O governador conhece mais o Galeão do que, por exemplo, a Zona Oeste, que V. Exa. conhece tão bem e sabe que está muito longe de ser uma área pacificada, como se anuncia, como se todo o Rio de Janeiro estivesse pacificado. É um governo que hoje diz claramente, nas suas práticas, que existem dois Rios de Janeiro: um que ele vai tentar pacificar controlando; outro que ele abandonou à própria sorte – e nós continuamos tendo todas as mazelas históricas do nosso Estado. Não podemos concordar com uma situação como essa.

Sr. Presidente, para terminar, visitei no final da semana passada uma comunidade em Niterói chamada Morro do Estado, que fica no centro da cidade e que, já há algum tempo, conta com o trabalho do Gepae. V.Exa. se lembra do Gepae? É algo muito semelhante ao que era a UPP, que o governo abandonou – não pode dizer que é Gepae porque Gepae é do governo anterior. Tem que dizer que é UPP para poder fazer propaganda do seu próprio governo, mas, na verdade, é algo muito semelhante.
Infelizmente, a segurança pública é tratada como política de governo e não como política de Estado.

Então, não é possível dar continuidade, mesmo que acertada, a alguma coisa que aconteceu atrás. É necessário criar algo muito parecido, mas para dizer que é filho do próprio governo, não pode ser do governo anterior. Esse projeto está abandonado, faltam policiais, mas os erros que existem nas UPPs também se reproduzem no GPAE. Por exemplo, o Morro do Estado, no Centro de Niterói, é uma comunidade com uma forte presença de nordestinos. Uma das medidas policiais foi proibir o forró, proibir o forró foi uma medida policial. É sensacional! Sensacional, medida de segurança: proibir o forró. Não tenho a menor dúvida de que Niterói está muito mais segura depois da proibição do forró. Era só o que faltava, já tinham proibido o funk e acham que o papel da segurança pública é ser instrumento de controle sobre a população pobre. É a velha lógica da senzala, um lugar onde aquelas pessoas têm para chegar à noite, dormirem e pela manhã cedo saírem de lá para trabalhar para a casa grande. A favela não é isso, Sr. Presidente, a favela é um espaço de vida, arte, resistência e a segurança pública tem que ser voltada para aqueles moradores e não sobre aqueles moradores. A dignidade dessas pessoas tem que ser o principal objetivo de qualquer política de segurança pública. Segurança pública é tão séria que não é caso de polícia. Segurança pública é garantia de direitos, exatamente o contrário do que tem acontecido nessas áreas dominadas. São áreas dominadas para gerar paz para outros lugares e não para essas áreas.

Então fica aqui o alerta, o nosso ano está começando e o Governo se prepare porque estamos atentos como em todos os outros anos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Estado mata por Caco Barcellos

Mais de uma década depois de denunciar a matança da Rota - Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar de São Paulo - em seu primeiro livro, Caco Barcellos ressalta, de cor, os números dos assassinatos cometidos pela Polícia Militar carioca em 2007, ano dos jogos Pan-Americanos. Foram 1.350. Um número infame e ainda mais vergonhoso se comparado aos 1.150 presos executados no mesmo ano por todos os 70 países que adotam a pena de morte. No Rio de Janeiro, diz Barcellos, 25% das mortes são praticadas pelo estado. Se essa é a solução para a Olimpíada, quantas pessoas terão de matar?

Quase tão surpreendente quanto os dados é a frase desafiadora com que resume a solução para o problema: "A coisa mais simples do mundo na minha cabeça é eliminar o poder do tráfico". Como? Criando empregos dignos. "Os jovens das favelas não querem repetir a trajetória dos pais, que conhecem desde que nasceram: trabalhar 30 anos em troca de nada, de miséria, barraco, com esgoto a céu aberto, polícia invadindo...não tenho dúvida de que, se um jovem tiver um salário razoável, competitivo, ele vai preferir o emprego a correr risco de morrer com dinheiro do tráfico." - por Débora Mamber e Rodrigo Levino

Copa e Olimpíadas por Gerson

O país não está preparado. Vão colocar o exército na rua, como fizeram no Panamericano. Além disso, não temos estrutura de treinamento para os atletas. Algumas instalações que foram feitas para o Pan já estão obsoletas ou abandonadas. É preciso ter centros de treinamentos e não ficar na dependência de atletas que treinam fora do país.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Nanini


















Quando estou em um lugar público, fico tenso, em pânico, porque sou muito esquecido e não escuto direito. Quem está comigo tem de gritar o nome das pessoas no meu ouvido. É muito mico. E também não consigo representar 24 horas por dia. Eu morro. Preciso de intimidade. - Marco Nanini

A força do amor

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Todos saem perdendo...

Que falta faz uma boa educação....Estamos assistindo, ano após ano, à deteriorização da qualidade da representação no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa. Quanto mais gente de baixa escolaridade incluída no processo eleitoral obrigatório, mais problemas. Isso é a tal democracia. Não é questão de preferência, é problema grave de educação mesmo que se reflete também em cada cantinho do atendimento em lojas e serviços variados. O nível nunca foi tão ruim, à ponto de não haver comunicação, porque sequer se aprende a falar a própria língua.

Somando-se isso à irresistível tentação da população, viciada na esperteza para satisfazer desejos imediatos em prol do benefício fácil e inconsequente, totalmente à margem da cidadania, vamos caminhando sem rumo, consumindo loucamente o que não necessitamos, esperando que o outro faça o que é preciso fazer. O resultado sempre vem à tona, geralmente em forma de tragédia, denúncias, propaganda enganosa desmascarada....Uns pagam com a vida. Outros divertem-se. O pior é que todos saem perdendo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Emily Dickinson












Não há melhor fragata que um livro para nos levar a terras distantes. - Emily Dickinson